Publicidade

quinta-feira, 5 de maio de 2011 Extracampo | 21:54

Crise na FFF pode respingar em Blanc. É o correto?

Compartilhe: Twitter

Depois um 2010 pra lá de desgastante por conta do clima e campanhas péssimos na Copa do Mundo, 2011 parecia tranquilo pros lados da Federação Francesa de Futebol, com reformulação e bons resultados começando a surgir na seleção principal com Laurent Blanc.

Até a semana passada, quando uma bomba explodiu na entidade que gere o futebol francês e os estilhaços atingiram Blanc: vieram a público, pelo site Mediapart, declarações em reuniões da FFF que sugeriam a implementação, nos clubes e escolinhas do país, de cotas para limitar a formação de jogadores “não-brancos”, de ascendência africana e árabe. O objetivo seria ter, futuramente, uma seleção adulta mais “europeia”.

O técnico dos Bleus falava numa reunião sobre o peso crescente dos atletas com dupla nacionalidade e a necessidade de aumentar o número de jogadores mais técnicos frente aos físicos, geralmente de origem negra. “Atualmente, os grandes e potentes são os negros. É assim. É um fato. Deus sabe que nos centros de formação, nas escolas de futebol, há muitos (negros). Creio que temos que buscar outros critérios, modificar nossa própria cultura”, teria dito Blanc nesta reunião.

thuram_afp

Convidado a falar sobre o que Blanc disse no programa "Le Grand Journal" do Canal Plus, Lilian Thuram não poupou o colega de 1998: "É indesculpável" (AFP)

Claro que pegou mal, né? Uma investigação foi posta em curso e os fatos são que o diretor técnico François Blaquart já “rodou”, sendo suspenso pela federação, e cresceu a pressão para que Laurent Blanc perca o emprego. Ex-jogadores da seleção e torcedores de modo geral, porém, não são unânimes sobre a saída do treinador.

Não me parece que Blanc seja racista ou preconceituoso, acho que ele está é preocupado que a França forme basicamente jogadores fortes, muito bem preparados fisicamente mas fracos em termos de técnica e habilidade. Até porque esse cenário a gente vê no futebol atual, no qual o lado físico evoluiu, nivelando times fracos, medianos e bons, e os talentosos estão rareando, contados nos dedos.

O problema é que o técnico gaulês precisa dissociar esse perfil de jogador da questão racial, de origem étnica, assim como a diretriz da FFF para a formação de jogadores. Que as escolinhas valorizem e promovam os mais técnicos, independentemente da cor ou sobrenome, tudo bem, nada de errado. O que não pode é já taxar o cara de incapaz e reprová-lo por não ser “branco” e “europeu”…

Karim Benzema festeja gol contra Inglaterra recentemente. A maior aposta ofensiva da França hoje tem pais argelinos... (Getty Images)

Portanto, penso que o mais acertado, para contornar o caso, seria federação e treinador chamarem a imprensa, esclarecerem tudo que for preciso e Blanc não cair. Demiti-lo só para mostrar à opinião pública que a FFF tá agindo, pra preservar sua imagem, não me parece o melhor caminho, até porque o trabalho que já vem rendendo frutos na preparação dos Bleus pra Euro 2012 seria sensivelmente prejudicado sem seu comandante atual.

Agora, se de fato o lance das cotas procede, seja com anuência, conveniência ou determinação de Laurent e outros membros da federação, não terei como defendê-lo. E o país pode evitar, “burramente”, que surjam novos Zidanes, Henrys, Benzemas, Nasris, Maloudas, Evras… (relembre o que já escrevi sobre a multietnicidade histórica da seleção francesa). Além do fato de jogadores africanos ou árabes não quererem mais servir à seleção, se recusando, com razão, a fazer parte e lutar por uma entidade que os repele – vale lembrar que, sobre o fiasco na África do Sul no ano passado, foi especulado que os atletas negros se rebelaram contra o comando francês por não se sentirem à vontade em representar a França, uma das ex-potências coloniais na África…

Qual sua opinião sobre o caso? O que faria para sanar mais essa crise no futebol francês?

Autor: Tags: , , , , , , , , , , , , ,

8 comentários | Comentar

  1. 28 mulberry handbag outlet store 13/11/2013 8:20

    had a transfusing of the new investment, the old brand has a transition from head to foot.Even in September 2004
    mulberry handbag outlet store

  2. 27 Luís Doménich 07/05/2011 8:07

    Nossa, só fui ler agora o texto do Adamo, Cara, quem é voce? hahaha, incrivel o que você escreveu, você fez uma das coisas que eu mais amo, evidenciou o futebol com os problemas sociais, historicos e políticos que o envolvem, de uma maneira muito muito correta e completa. A coisa mais comum do mundo é ver pessoas colocando o futebol em um universo a parte, acho que é até por isso que é tão dificil resolver os problemas de racismo, e fanatismo violento que tem dentro dele, esquecem de colocar as soluções dentro da realidade social de cada país. É como as campanhas contra o racismo da UEFA, de que adiantam se elas só existem no “mundo mágico do futebol”, enquanto partidos de extrema-direita ganham cada vez mais força na Europa junto com a crise-economica(historia se repetindo, parece que ninguém nunca aprende nada).

    • Adamo B. Alcantara 07/05/2011 23:00

      Luís, obrigado. Tomarei como elogios suas palavras. E de incentivo, sobretudo.
      Amo futebol e tenho formação política e jurídica, logo aliar essas coisas também é minha paixão. Sempre me atraio por essa perspectiva diferente.
      A propósito tem um livro muito bom sobre as rivalidades históricas na Europa que deve te interessar. MAis tarde verifico o nome no meu escritório e te passo…
      Abraços.

  3. 26 Luís Doménich 06/05/2011 23:05

    Putz, é futebol mas ainda é um problema social e historico. Muuito dificil de se resolver, pelo menos a curto prazo. Historicamente a independencia das ex-colonias francesas aconteceram praticamente ontem. Tem muito jogador negro/arabe realmente infeliz em defender a França, e outros que nem cogitam, como aconteceu com Sow e El-Arabi, e acho sinceramente uma perda incrivel para a França.
    Para ter uma seleção “branca” e europeia, precisaria transformar o futebol frances em esporte de elite, e o time com certeza ficaria fraco, além de ultrapassado e mal visto por todo o mundo. Triste, espero que resolvam.
    Sobre o Blanc, o Sergio falou tudo, ach oestranho, ele trabalhava com muitos negros no Bordeaux, Diarra é o mais emblematico, mas nunca se sabe né.
    Parabens tbm pela sua pinião Bruno, muito boa! Assino em baixo.
    E pra finalizar, jogador negro não sabe ser técnico? Samuel Etto é um puta dum albino então, né!?

  4. 25 Sérgio Ayres 06/05/2011 16:04

    Acho estranho Blanc pensar assim pq ele levou Ciani para o Bordeaux, tinha Diarra como um cara de confiança e deu chance a L. Sané todos com o biótipo de força física.

    Na verdade esse fato pode até servir pra falar mal da França e tal, mas o cara que acompanha futebol espanhol, italiano, inglês, alemão e quase todos da europa, se for por isso vai ter que deixar de acompanhar esses campeonatos pois é comum a manifestação até de jogadores e dirigentes.

    Se fosse por esse motivo até daria para entender a raiva dos franceses, mas no futebol e uma raiva estranha e só vejo explicação por conta das derrotas para o Brasil (como uma pessoa falava na comu da Ligue 1), alguém teria alguma explicação para essa raiva dos times franceses (Por exemplo fala-se melhor do campeonato português que só tem dois times fortes, Porto e Benfica e dois mais ou menos no momento que é Sporting e Braga)?

    • Bruno Pessa 06/05/2011 17:48

      Basicamente acho que é por conta do futebol mesmo. O Brasil era mais talentoso, mais caiu em fases decisivas de Copas para os franceses 3 vezes num intervalo curto (1986, 1998, 2006), isso irrita, ainda mais com aquelas histórias de “Copa comprada” pra França ganhar em 98…

      Quem era criança no fim dos 80 e início dos 90 e teve Senna como ídolo, como eu, também teria motivo para odiar a França por conta de Alain Prost, maior rival do brasileiro e que não abriu mão do jogo sujo para derrotá-lo, quando seu compatriota Balestre mandava na F1.

      Como o esporte é algo apaixonante e passional para quem torce e se envolve, é natural que vc odeie alguém na mesma medida em que ama alguém… E o que o brasileiro se envolve com seleção em época de Copa não é pouco, né?

  5. 24 Adamo 06/05/2011 7:56

    O futebol não é um mundo à parte. Reflete o ideário e os preconceitos da sociedade. Nos anos 20 ou 30 no Brasil, os clubes não aceitavam negros. Daí a razão porque alguns times tradicionalmente usam pó de arroz nas torcidas.
    Infelizmente, a França passa por uma fase preocupante no aspecto da igualdade. O jornal L’Humanite (de orientação comunista), refletiu um artigo ontem sobre a Sarkonização do país, inclusive no futebol. Lembrou dos trens de ciganos, da proibição do véu, etc.
    É, pois, possível que tenha surgido essa ideia maluca e racista. Se partiu de Blan, se ele aderiu, foi conivente ou mesmo se calou, é um problema sério. Mas certamente exlcuir Blanc não será a solução. Duvido que sem ele não se ventile as quotas de outra forma.
    A França é um país de imigrantes. No futebol, mais ainda. Temos praticamente um campeonato africano em plena Europa. Tanto que em época de CAN – Copa Africana das Nações, o Championnat de France fica altamente prejudicado.
    Entretanto, a seleção francesa é e sempre foi, como bem você citou, eclética (Black, Blanc et Beur). Na música també é assim: Aznavour (Egito), Salvatore Adamo (de quem herdei o nome, Italo-Belga).
    Até o Presidente possui origem húngara…
    Mas o aspecto econômico quando ruim traz situações ainda piores. Preocupo-me muito com a ideia de que o País das Luzes, de Rousseau, da Liberdade, Igualdade e Fraternidade esteja tão próximo de um novo fascismo.
    Concordo plenamente com Filipe, é apenas uma chance de inflar argumentos e egos daqueles que já odeiam a França. Dommage!!!

  6. 23 Sérgio Ayres 06/05/2011 0:48

    Falando do ranking, como já era esperado dois portugueses vão fazer a final da UEL (pelo menos o Porto passou perdendo) , mas ainda bem que ñ tem como eles passarem, pois ñ perderíamos a 3ª vaga, mas seria rídiculo cair para o 6º lugar.

    Ranking atual:

    5 France 53.678
    6 Portugal 51.196

    (trecho abaixo dohttp://www.zerozero.pt/noticia.php?id=27856 explicando a situação do ranking).
    Actualmente com 18.400 pontos, Portugal somará ainda 2 pontos na final da Liga Europa independentemente do resultado do encontro entre Braga e FC Porto.
    Já no ranking global, Portugal falhou por muito pouco a subida ao 5º posto, e está neste momento a menos de 0.500 pontos da França, mas somará no máximo 0.400 pontos na final de Dublin, insuficientes para ultrapassar os gauleses.

    Esse trecho explica que pelo menos Portugal ñ passa, mas a França vai ter que fazer boa campanha na temporada que vem para ñ ser ultrapassada. Tomara que os 3 clubes da UEL levem a sério a competição dessa vez pq Portugal só chegou perto por causa disso.

    • Adamo B. Alcantara 06/05/2011 18:54

      Pior, Sérgio, é que teremos Lille, OM e OL ou PSG na Champions e OL ou PSG, Rennes…até aí tudo bem, mas o terceiro na UEL seria hoje o Lorient. É possível que Sochaux, Saint-Etienne ou Bordeaux alcancem e teriam mais chances de fazer uma boa campanha, não acha?
      De todo modo, seja quem for, vamos torcer. A sexta vaga está nas mãos destes times no ano que vem.

  7. 22 Sérgio Ayres 06/05/2011 0:39

    Racista e preconceituoso o mundo é (e Brasil e França ñ são diferentes), mas esse caso parece que ele ñ estava falando pq o jogador é negro ou árabe, mas sim por conta da idéia de que os jogadores negros vão fazer a França perder a qualidade técnica e tal por conta da força física, mas aí ele tem que barrar os jogadores com esse perfil e ñ por ser negro, árabe ou sei lá oq. História tosca vamos ver mais pra frente.

  8. 21 Filipe Frossard Papini 05/05/2011 22:08

    Assunto polêmico (e não estamos falando de mamilos). Acho uma tremenda de uma babaquice tentar cortar os negros e descendentes de árabes. Isso não existe. Pensamento antiquado ao extremo.

    E não existe o menor fundamento nisso, haja vista que os mais recentes ídolos franceses se encaixam no perfil supostamente barrado. No time atual poderíamos contar nos dedos quem não seria cortado.

    Basicamente polêmica criada à toa e absolutamente lamentável. Repercusão absurdamente negativa que só infla o ego daqueles que já odeiam a França. E dessa vez, com razão.

  1. ver todos os comentários

Os comentários do texto estão encerrados.